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Alegrai-vos sempre no Senhor!
Para você, meu caro Internauta, mais uma preciosa meditação de Advento do Cardeal Joseph Ratzinger. Desta vez, inspirada neste III Domingo de Advento, o Domingo Gaudete: "Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está próximo!"
"Alegrai-vos, uma vez mais vos digo: alegrai-vos". A alegria é fundamental no cristianismo, que é por essência evangelium, boa nova. E, entretanto, é ali onde o mundo se equivoca, e sai da Igreja em nome da alegria, achando que a Igreja a tira do homem com todos os seus preceitos e proibições.
Certamente, a alegria de Cristo não é tão fácil de ver como o prazer banal que nasce de qualquer diversão. Mas seria falso traduzir as palavras: «Alegrai-vos no Senhor» por estas outras: «Alegrai-vos, mas no Senhor», como se na segunda frase se quisesse recordar o afirmado na primeira. Significa simplesmente «alegrai-vos no Senhor», já que o apóstolo evidentemente crê que toda verdadeira alegria está no Senhor, e que fora dele não pode haver nenhuma. E de fato é verdade que toda alegria que se dá fora dele ou contra ele não satisfaz, mas que, ao contrário, arrasta o homem a um redemoinho no qual não pode estar verdadeiramente contente.
Mas isso aqui nos faz saber que a verdadeira alegria não chega até que não a traz Cristo, e que do que se trata em nossa vida é de aprender a ver e compreender a Cristo, o Deus da graça, a luz e a alegria do mundo. Pois nossa alegria não será autêntica até que deixe de apoiar-se em coisas que podem ser-nos arrebatadas e destruídas, e se fundamente na mais íntima profundidade de nossa existência, impossível de ser-nos arrebatada por força alguma do mundo. E toda perda externa deveria fazer-nos avançar um passo rumo a essa intimidade e fazer-nos mais maduros para nossa vida autêntica.
Assim se passa a ver que os dois quadros laterais do tríptico de Advento, João e Maria, apontam ao centro, a Cristo, desde o qual são compreensíveis. Celebrar o Advento significa, dizendo mais uma vez, despertar para a vida a presença de Deus oculta em nós. João e Maria nos ensinam a fazê-lo. Para isso, devemos andar por um caminho de conversão, de afastamento do visível e aproximação ao invisível. Andando esse caminho somos capazes de ver a maravilha da graça e aprendemos que não há alegria mais luminosa para o homem e para o mundo que a da graça, que apareceu em Cristo.
O mundo não é um conjunto de penas e dores, toda a angústia que exista no mundo está amparada por uma misericórdia amorosa, está dominada e superada pela benevolência, o perdão e a salvação de Deus. Quem celebre assim o Advento poderá falar com razão da celebração natalina: feliz bem-aventurada e cheia de graça. E conhecerá como a verdade contida na felicitação natalina é algo muito maior do que esse sentimento romântico dos que a celebram como uma espécie de diversão de carnaval».

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 19h35
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João e Elias
Dos Sermões de Santo Agostinho (354-430), bispo e doutor da Igreja:
«Afinal, por que dizem os escribas, ou seja os doutores da Lei, que Elias tem de vir primeiro?» O Senhor responde-lhes: «Elias já veio, e eles fizeram-no sofrer tudo o que quiseram, e, se desejais sabê-lo, é João, o Batista.» No entanto, quando se interroga João, ele declara que não é Elias nem é Cristo (Jo 1,20s)... Porque afirma ele então: «Eu não sou Elias», quando o Senhor diz aos seus discípulos que ele é Elias?
Nosso Senhor queria falar simbolicamente da sua vinda gloriosa que havia de acontecer e dizer que João viera no espírito de Elias. O que João foi para a primeira vinda, Elias será para a segunda. Há dois adventos para o Juiz; há também dois precursores. O Juiz é o mesmo nos dois adventos, mas há dois precursores... O Juiz tinha de vir primeiro para ser julgado; mandou adiante de si um primeiro precursor, e chamou-lhe Elias, pois Elias será para o segundo advento aquilo que João foi para o primeiro.
Considerai, bem-amados irmãos, quanto esta explicação está fundada sobre a verdade. No momento em que João foi concebido o Espírito Santo fizera esta predição que deveria cumprir-se nele: «Ele será o precursor do Altíssimo, no espírito e no poder de Elias» (Luc 1,17)... Quem poderá entender estas coisas? Aquele que tiver imitado a humildade do precursor e conhecido a majestade do Juiz. Ninguém foi mais humilde que este santo precursor. Essa humildade de João constitui o seu maior mérito; ele poderia enganar os homens, passar por Cristo, ser visto como Cristo, tão grandes eram a sua graça e a sua virtude, e contudo, ele declara abertamente: «Eu não sou Cristo. - És Elias?... - Não Sou Elias.»
Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 15h56
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Leituras para o III Domingo do Advento - B
Leitura do Livro do profeta Isaías (Is 61,1-2a.10-11) 1O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu; enviou-me para dar a boa-nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos; 2apara proclamar o tempo da graça do Senhor. 10Exulto de alegria no Senhor e minh'alma regozija-se em meu Deus; ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça e adornou-me como um noivo com sua coroa ou uma noiva com suas jóias. 11Assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Senhor Deus fará germinar a justiça e a sua glória diante de todas as nações.
Salmo responsorial (Lc 1,46-48.49-50.53-54)
A minh'alma se alegra no meu Deus.
A minha alma engrandece ao Senhor, e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador, pois ele viu a pequenez de sua serva, desde agora as gerações hão de chamar-me de bendita.
O Poderoso fez por mim maravilhas. E Santo é o seu nome! Seu amor, de geração em geração, chega a todos que o respeitam.
De bens saciou os famintos, e despediu os ricos sem nada. Acolheu Israel, seu servidor, fiel ao seu amor.
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses (1Ts 5,16-24) Irmãos: 16Estai sempre alegres! 17Rezai sem cessar. 18Dai graças em todas as circunstâncias, porque essa é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo. 19Não apagueis o Espírito! 20Não desprezeis as profecias, 21mas examinai tudo e guardai o que for bom. 22Afastai-vos de toda espécie de maldade! 23Que o próprio Deus da paz vos santifique totalmente, e que tudo aquilo que sois - espírito, alma e corpo - seja conservado sem mancha alguma para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo! 24Aquele que vos chamou é fiel; ele mesmo realizará isso.
Aleluia, aleluia! (bis) O Espírito do Senhor sobre mim fez a unção, enviou-me aos empobrecidos a fazer feliz proclamação.
Evangelho de Jesus Cristo segundo João (Jo 1,6-8.19-28) 6Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. 7Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio dar testemunho da luz. 19Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar: "Quem és tu?" 20João confessou e não negou. Confessou: "Eu não sou o Messias". 21Eles perguntaram: "Quem és então? És tu Elias?" João respondeu: "Não sou". Eles perguntaram: "És profeta?" Ele respondeu: "Não". 22Perguntaram então: "Quem és, afinal? Temos que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo?" 23João declarou: "Eu sou a voz que grita no deserto: 'Aplainai o caminho do Senhor'" - conforme disse o profeta Isaías. 24Ora, os que tinham sido enviados pertenciam aos fariseus 25e perguntaram: "Por que então andas batizando, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?" 26João respondeu: "Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis, 27e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias". 28Isto aconteceu em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.
Escrito por Pe. Henrique às 14h01
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Estudo bíblico-catequético para o III Domingo do Advento - B
1. Este Domingo III do Advento é conhecido como Domingo Gaudete, porque no Missal, a Antífona de Entrada diz: "Gaudete in Domino semper: iterum dico: gaudete! Dominus enim prope est" Isto é: "Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto!" (cf. Fl 4,4s). => Além do roxo, pode-se usar a cor rosa (não um rosa qualquer, mas a tonalidade conhecida como "rosa antigo"). Este rosa, como um roxo mais leve, recorda a exultação, a alegria pelo Natal que se aproxima, cumprimento das promessas salvíficas de Deus.
2. Quanto à primeira leitura, observe: => O texto é dividido em duas partes bem distintas: na primeira (vv. 1-2a), apresenta-se a vocação do Messias, o ungido de Deus; na segunda (vv. 10-11) aparece a alegria de Israel, comparada a uma esposa enfeitada pelo marido apaixonado. A lição é clara: quando o Messias viesse, Deus desposaria para sempre, com uma aliança de amor, o seu povo! => Veja a primeira parte: é o Messias (= Ungido) quem fala. Observe: ele é ungido pelo Espírito do Senhor Deus-Pai Note bem a missão dele, que pode ser resumida em "proclamar a boa-nova aos pobres". A boa-nova é que Deus agora, finalmente, veio salvar o seu povo. => Observe a segunda parte: é Israel, é a Igreja quem fala: a alegria pela salvação; em Cristo, o povo de Deus foi revestido de salvação. É o espírito deste III Domingo de Advento: a alegria pela salvação que vem, a exultação porque Deus está próximo de nós, não é Deus de longe, mas de perto! => Note um detalhe importante: se, por um lado, a salvação vem do céu, enviada por Deus, por outro, precisa germinar na terra do nosso coração. Leia o v. 11. => Israel é imagem da Igreja, que tem sua personificação em Maria. Por isso, pensando na Mãe Igreja, reze o cântico da Maria, que é o salmo da missa de hoje.
3. Tome agora a segunda leitura: => Salta logo aos olhos o convite à alegria (v. 16). Neste Domingo, trata-se da alegria pela Salvação que vem chegando. => Observe os conselhos do Apóstolo: viver na alegria, orar sem cessar,dar graças a Deus em todos os momentos da vida. Que significa tudo isto? Vivem unidos a Cristo, vivei em Cristo, ponde a esperança em Cristo - eis o sentido destes conselhos. => Atenção à exortação do v. 19: "Não apagueis o Espírito!". Pense bem: recebemos no Batismo o Santo Espírito de Cristo. Este Espírito age em nós e nos vai unindo a Jesus e transfigurando a nossa vida na vida de Jesus. Mas, se lhe formo surdos, se não lhe formos dóceis, vamos sufocando a sua ação, até que ele não mais age em nós. Pense nisso: você tem sido dócil ou rebelde à ação do Espírito de Jesus em você. Um bom modo de saber é observar se você pratica as obras da carne (veja quais são em Gl 5,19-21) ou se produz os frutos do Espírito (confira quais são em Gl 5,22-23). => O Apóstolo nos convida a não desprezar as profecias, isto é, àquilo que o Senhor nos diz pelos irmãos e pela pregação da Igreja. => A leitura fala também em sermos santificados no nosso corpo, nossa alma e nosso espírito... Que significa isto? Corpo é nossa dimensão física, somática; alma é nossa dimensão de inteligência, nosso psiquismo, nossa inteligência e liberdade; espírito é aquela saudade de infinito, aquele sede de plenitude e eternidade que trazemos tanto no corpo quanto na alma; é, portanto, aquela abertura para Deus que o homem traz em si, seja no corpo seja na alma. Em outras palavras: São Paulo deseja que sejamos santificados em todo o nosso ser, preparando-nos para a vinda do Senhor! => Pense no consolo destas palavras: "Quem vos chamou é fiel; ele mesmo realizará isso!"
4. Agora o Evangelho: => Mais uma vez aparece João Batista, isto é, João Batizador. => Primeiro observe o que o Evangelho diz dele: (1) ele foi enviado por Deus, (2) ele não era a luz, mas veio dar testemunho da luz, (3) ele não é o Messias, (4) também não é Elias profeta, (5) ele é a voz que anuncia a Palavra, o Senhor, (6) ele é apenas um humilde servo, indigno de desamarrar as sandálias do Cristo - localiza todas esta afirmações no texto do Evangelho de hoje. =>è Note: o batismo de João não é o nosso Batismo cristão. João batizava com o um gesto igual ao das cinzas no início da Quaresma: quem se reconhecia pecador, entrava na fila e recebia o batismo, fazendo penitência, mudando de vida para aguardar o Messias. => Observe a humildade do Batista: não se coloca no lugar de Cristo, não quer atrair a atenção sobre si próprio; julga-se apenas um servo... => Eis o que diz Santo Agostinho a respeito do Batista: "Ninguém foi mais humilde que este santo precursor. Essa humildade de João constitui o seu maior mérito; ele poderia enganar os homens, passar por Cristo, ser visto como Cristo, tão grandes eram a sua graça e a sua virtude e, contudo, ele declara abertamente: «Eu não sou Cristo. - És Elias?... - Não Sou Elias»."
Escrito por Pe. Henrique às 13h57
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A humildade de Deus
Dos pensamentos da Bem-aventurada Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade:
Deus tem em si uma grande humildade. Ele pode vir ter com pessoas como nós e tornar-se dependente de nós para atos como viver, crescer, produzir frutos. Ele teria podido fazer tudo isso sem nós. Contudo, desceu até nós, guiou cada uma de nós que estamos aqui, para nos chamar em conjunto e formar esta comunidade. Se tivésseis recusado, ele não o teria podido fazer. Com efeito, nós podíamos ter recusado; cada uma teria podido dizer não. Deus teria pacientemente esperado que alguém dissesse sim.
O que ma faz compreender isso, é quando Jesus diz: «Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração». Ele quis verdadeiramente que nós retivéssemos que o nosso chamamento a cada um é verdadeiramente um dom do próprio Deus.
Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 01h44
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Elegia por um velho rabugento
José Saramago, escritor português, Prêmio Nobel de Literatura, esteve recentemente no Brasil. Ele é comunista, ateu, anti-clerical e inimigo declarado da Igreja. É idoso, está doente, mas é pródigo em afirmações tolas...
Sobre Deus e as coisas de Deus, afirmou: "Por que eu teria de mudar [a concepção de Deus após a doença]? Porque supostamente me salvou a vida? Quem me salvou foram os médicos e a minha mulher. E Deus se esqueceu de Santa Catarina? Deus não existe. Salvo na cabeça das pessoas, onde está o diabo, o mal e o bem. Inventamos Deus porque tínhamos medo de morrer, acreditávamos que talvez houvesse uma segunda vida. Quando a Igreja inventou o pecado, inventou um instrumento de controle, não tanto das almas, porque à Igreja não importam as almas, mas dos corpos. O sonho da Igreja sempre foi nos transformar em eunucos. A Bíblia foi escrita ao longo de 2.000 anos e não é um livro que se possa deixar nas mãos de um inocente. Só tem maus conselhos, assassinatos, incestos..." Aqui está um esquerdista de pedigree, um "comunista hormonal", que revela toda sua ojeriza à idéia de Deus e sua repugnância pela Igreja, com argumentos absolutamente injustos e superficiais... O que afirma sobre a Bíblia faz duvidar da sua lucidez e boa fé... Qualquer um que seja tem o direito de ser ateu e de não gostar da Igreja; mas, seria bom argumentos um pouco mais sérios e inteligentes...
Não deixa de ser sintomática a visão que o velho e rabugento ateu conserva sobre a humanidade: "A história da humanidade é um desastre contínuo. Nunca houve nada que se parecesse com um momento de paz. Se ainda fosse só a guerra, em que as pessoas se enfrentam ou são obrigadas a se enfrentar... Mas não é só isso. Esta raiva que no fundo há em mim, uma espécie de raiva às vezes incontida, é porque nós não merecemos a vida. Não a merecemos. Não se percebeu ainda que o instinto serve melhor aos animais do que a razão serve ao homem. O animal, para se alimentar, tem que matar o outro animal. Mas nós não, nós matamos por prazer, por gosto. Se fizermos um cálculo de quantos delinqüentes vivem no mundo, deve ser um número fabuloso. Vivemos na violência. Não usamos a razão para defender a vida; usamos a razão para destruí-la de todas as maneiras -no plano privado e no plano público".
Pobre coitado: não crê em Deus, não consegue ver o que de belo existe no homem, apesar dos pesares. Um homem sem esperança. Nega Deus e, por isso mesmo, não consegue afirmar o homem: "Como será possível acreditar num Deus criador do Universo, se o mesmo Deus criou a espécie humana? Por outras palavras, a existência do homem, precisamente, é o que prova a inexistência de Deus". Quão dura e sem sentido lhe deve ser a existência! Como a de outro rabugento: Sartre, que pode ser resumido assim: Deus não existe; o inferno são os outros!
Categoria: Análises
Escrito por Pe. Henrique às 01h41
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Dela o Diabo jamais riu...
Eu vos exalto, ó Senhor,
pois me livrastes
e não deixastes rir de mim meus inimigos!

Escrito por Pe. Henrique às 00h56
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Ainda a dialética cristão e não-cristão
Ainda mais de Jean Daniélou, caro Leitor:
Como chegaram os Padres da Igreja a unir as duas posições - como fazemos ainda hoje - o dois aspectos no mundo não-cristão, isto é, reconhecendo nele valores - o que um Justino, um Clemente ou um Santo Agostinho descobriram na filosofia dos gregos e de Platão - e, ao mesmo tempo, atos, cultos idolátricos, práticas de magia, que são realmente demoníacas e escravizam a humanidade a forças hostis a Deus. Donde, necessariamente a ambigüidade dessa posição. É interessante notar que essas oposições existiram, desde o princípio, no cristianismo e que a antinomia que encontramos hoje já existia então (Observação minha: O Autor é perfeito na sua exposição. Quando hoje a Igreja, com renovada consciência, abre-se para o diálogo para as outras religiões, deve sempre conservar a atitude de fecunda tensão que sempre a norteou no contato com as realidades não-cristãs: de um lado abertura para reconhecer tudo quanto de bom aí possa encontrar-se, individuando nessas realidades as sementes do Verbo, espalhadas em todas as realidades criaturais, já que tudo quanto existe foi criado pelo Filho morto e ressuscitado e para o Filho morto e ressuscitado. Isso nos livra de todo fechamento e de ver o demônio em tudo que esteja fora da sacristia! Outro excesso a evitar-se é aquele de certo diálogo inter-religioso atual, que nivela as religiões todas entre si, considera o cristianismo apenas mais um veículo da revelação - o mais elevado, mas apenas mais um. Tal visão é falsa, errônea e fere no coração a fé cristã. O cristianismo é absolutamente único: não é uma palavra humana sobre Deus e sobre o homem, mas uma palavra de Deus, uma palavra realmente revelada sobre si mesmo, sobre a humanidade e sobre o mundo. Em Cristo Deus nos visitou pessoalmente, pessoalmente fez-se um de nós para nos fazer efetivamente participantes da sua vida divina. Perder de vista esta estupenda realidade é esvaziar totalmente o cristianismo. Esta tensão de que fala o Autor existe desde o Antigo Testamento. Dou-lhe dois exemplos, meu Leitor: Esdras-Neemias têm uma atitude hostil e fechada em relação aos pagãos; Isaías e Jonas têm uma atitude de abertura; há uma corrente em Israel aberta a que se imite a forma monárquica de governo que existia entre os cananeus e há outra, absolutamente contrária a que se imite o modelo dos pagãos...).
Estamos, pois, em presença de uma oposição que é constitutiva da revelação cristã e que representa um dos aspectos essenciais da Bíblia. Há na Bíblia uma noção capital que é sua idéia mãe e que muitas vezes não compreendemos: é a de Aliança. Palavra bastante mal escolhida: vem do hebraico berith, que significa pacto, compromisso; o grego traduz por diatheke: disposição de alguém em favor de um outro; ou então por synthke: contrato bilateral. Sendo essas noções importantes para o que diremos a seguir, convém que fiquem bem claras. O latim, por sua vez, traduz por foedus, isto é, tratado bilateral, ou por testamentum. Chegamos a esta palavra "testamento", que é empregada quando se fala do Antigo e do Novo Testamento e que na realidade é a Antiga ou a Nova Aliança.

Categoria: Teologia
Escrito por Pe. Henrique às 17h16
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Leituras para a Missa da Imaculada
Leitura do Livro do Gênesis (Gn 3,9-15.20) 9O Senhor chamou Adão, dizendo: "Onde estás?" 10E ele respondeu: "Ouvi tua voz no jardim, e fiquei com medo porque estava nu; e me escondi". 11Disse-lhe o Senhor Deus: "E quem te disse que estavas nu? Então comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer?" 12Adão disse: "A mulher que tu me deste por companheira, foi ela que me deu do fruto da árvore, e eu comi". 13Disse o Senhor Deus à mulher: "Por que fizeste isso?" E a mulher respondeu: "A serpente enganou-me e eu comi". 14Então o Senhor Deus disse à serpente: "Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais domésticos e todos os animais selvagens! Rastejarás sobre o ventre e comerás pó todos os dias de tua vida! 15Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar". 20E Adão chamou à sua mulher "Eva", porque ela é a mãe de todos os viventes.
Salmo responsorial (Sl 97) Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios!
Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória.
O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; recordou o seu amor sempre fiel pela casa de Israel.
Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai!
Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios (Ef 1,3-6.11-12) 3Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele nos abençoou com toda a bênção do seu Espírito em virtude de nossa união com Cristo, no céu. 4Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor. 5Ele nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por intermédio de Jesus Cristo, conforme a decisão de sua vontade, 6para o louvor da sua glória e da graça com que ele nos cumulou no seu Bem-amado. 11Nele também nós recebemos a nossa parte. Segundo o projeto daquele que conduz tudo conforme a decisão de sua vontade, nós fomos predestinados 12a sermos, para o louvor de sua glória, os que de antemão colocaram sua esperança em Cristo.
Aleluia, Aleluia, Aleluia! (Lc 1,28) Maria, alegra-te, ó Cheia de Graça, O Senhor é contigo!
Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (Lc 1,26-38). Naquele tempo, 26no sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, 27a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria. 28O anjo entrou onde ela estava e disse: "Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!" 29Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. 30O anjo, então, disse-lhe: "Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. 33Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim". 34Maria perguntou ao anjo: "Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?" 35O anjo respondeu: "O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, 37porque para Deus nada é impossível". 38Maria, então, disse: "Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!" E o anjo retirou-se.
Escrito por Pe. Henrique às 15h53
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Estudo bíblico-catequético para a Solenidade da Imaculada Conceição
1. Eis o significado da doutrina da Imaculada Conceição de Maria: => Toda a humanidade é marcada, desde as origens pelo mistério do pecado. Nossos pais pecaram, criando uma teia de pecaminosidade na qual nós já nascemos imersos e por ela marcados (cf. Rm 5,12; Sl 50/51,7) => O homem sozinho não pode se libertar desta situação. Só em Jesus o pecado pode ser superado (cf. Rm 3,21-26; 7,14-25). Jesus, portanto, é o Salvador de todos e fora dele não há salvação. => No seu plano de amor, Deus predestinou a Virgem Maria, sem nenhum mérito dela, para ser a Mãe do Redentor, do Cordeiro que tira o pecado do mundo. Releia a segunda leitura. Fomos criados por Deus com um propósito. Leia o salmo 138/139. => A Escritura atesta que a Virgem Maria foi preservada por Deus do pecado: (a) Entre ela e o Diabo há uma inimizade de morte (releia a primeira leitura); (b) O anjo, ao saudá-la chama-a com um nome misterioso: "Plenamente agraciada". Nela não há lugar para a "des-graça" do pecado. Releia o evangelho de hoje. => Como explicar isso? A Igreja sempre creu e o Papa Pio IX proclamou que desde o primeiro momento da sua concepção no ventre materno, a Virgem Maria fora preservada de toda solidariedade no pecado humano. Em outras palavras: as conseqüências do pecado de nossos primeiros pais não a atingiram, de modo que ela não tinha a concupiscência, o desequilíbrio interior que nós temos, aquela tendência maligna de fechamento para Deus. => Isto só foi possível graças à morte e ressurreição de Jesus: o Pai, que tudo conhece eternamente, de antemão livrou a Virgem de todo pecado pelos méritos do sacrifício de Jesus. Em outras palavras: a cruz de Cristo nos arranca da lama. No caso de Nossa Senhora, a cruz nem sequer deixou que a lama tocasse na Virgem Maria.
2. Eis o que ensina a Igreja pelo magistério de Pio IX: "O Deus inefável desde o princípio e antes dos séculos, escolheu e predestinou para seu Filho unigênito uma mãe da qual nascesse... e a acompanhou com tão grande amor, de preferência a todas as criaturas... admiravelmente a cumulou, mais que a todos os espíritos angélicos e todos os santos... Assim, ela, sempre absolutamente livre de toda mancha do pecado, toda bela e perfeita, possui uma tal plenitude de inocência e de santidade que de modo algum se pode conceber maior, depois de Deus, e que, fora de Deus, ninguém pode compreender com simples pensamento. A ela, Deus Pai decidiu dar seu Filho único, ao qual, gerado do seu coração, ... ele fosse, por natureza, um só e o mesmo Filho comum de Deus Pai e da Virgem; a ela, o mesmo Filho a escolheu para fazê-la sua mãe de modo substancial, e o Espírito Santo quis a atuou para que por ela fosse concebido e nascesse aquele (Filho) do qual ele mesmo (o Espírito) o procede... Com a autoridade do Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo e nossa, declaramos, proclamamos e definimos: a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio do Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha da culpa original, é revelada por Deus e por isso deve ser crida firme e constantemente por todos os fiéis".
3. Algumas lições desta doutrina tão bela: => A salvação de Cristo é tão potente que de antemão atingiu e salvou sua própria mãe. Não poderia habitar nove meses num ventre de pecado aquele que é o Deus santo, o Cordeiro imaculado que tira o pecado do mundo! => A conceição imaculada de Maria é prenúncio da nossa salvação; é aurora do Dia salvador que é Cristo nosso Deus. => Esta conceição imaculada enche-nos de esperança, pois vemos o quanto é potente a graça salvífica de Cristo. Se ele pôde preservar sua mãe do pecado pode também nos arrancar de suas miseráveis conseqüências!
4. Atenção: => Maria deve muito mais a Cristo que nós: se nós fomos salvos por Jesus porque arrancados do pecado, ela foi salva de modo ainda mais perfeito, pois de antemão o Cristo nem sequer permitiu que o pecado a tocasse! => Na verdade, a festa de hoje exalta a força salvífica do Cristo Jesus, bendito fruto, do bendito ventre da bendita Virgem Maria! => Quando São Paulo afirma que "todos pecaram e estão privados da glória de Deus" (Rm 3,23) não está nem de longe pensando na situação de Nossa Senhora. Ele deseja somente enfatizar que todos precisam da salvação de Cristo e sem ele ninguém se salva. Como vimos, a doutrina da Imaculada Conceição não nega, mas confirma tal doutrina do Apóstolo!
Escrito por Pe. Henrique às 15h49
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Preparai os caminhos do Senhor!
Dos Sermões do Beato Guerric d'Igny (1080-1157), abade cisterciense:
«Preparai os caminhos do Senhor.» Irmãos, os caminhos do Senhor que nos pedem que preparemos preparam-se percorrendo-os, e é preparando-os que os percorremos.
Mesmo que já tenhais progredido muito no caminho, tendes ainda assim de o preparar, a fim de que, do ponto aonde chegastes, avanceis sempre mais. E assim, a cada passo que dais, o Senhor cujo caminho preparais vem ao vosso encontro, sempre novo, sempre maior.
É, pois, com razão que o justo reza dizendo: «Instruí-me, Senhor, nos Vossos mandamentos, e os guardarei com fidelidade» (Sl 118, 33). Talvez se lhe tenha chamado «caminho eterno» porque, se é verdade que a Providência previu o caminho de cada um e lhe fixou um termo, também é certo que a bondade daquele para o Qual avançais não tem limites. É por isso que, ao chegar, o viajante sábio e decidido pensa que está apenas no princípio (Fl 3,13); esquecendo o que tem atrás de si, dirá todos os dias: «Hoje começo».
Mas nós que falamos de progresso neste caminho, praza ao céu que tenhamos, pelo menos, começado! Em minha opinião, quem se pôs a caminho já está no bom caminho; mas é necessário que tenhamos realmente começado, que tenhamos «encontrado o caminho da cidade habitável», como diz o salmo (106,4). Porque «são poucos os que o encontram», diz a própria Verdade (Mt 7,14). E numerosos os que vagueiam na solidão.
E Tu, Senhor, preparaste-nos um caminho, basta que consintamos em o percorrer. Tu ensinaste-nos o caminho da Tua vontade quando nos disseste: «Este é o caminho, andai por ele» (Is 30,21). Trata-se do caminho que o profeta tinha prometido: «O deserto será atravessado por um caminho que se chamará caminho sagrado; nenhum ser impuro passará por ele (Is 35,8). «Fui jovem, agora sou velho» (Sl 36,25) e, se bem me lembro, nunca vi seres impuros percorrerem o Teu caminho; embora tenha visto alguns puros que conseguiram percorrê-lo até ao fim.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 07h26
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